Cão recolhe garrafas que estão no rio Piracicaba

Os latidos ininterruptos de Pingo, um poodle branco, podem causar medo, à primeira vista, mas ele está apenas impaciente para que seu dono, Antonio Carlos Dias – o popular Sassá da Rua do Porto, o leve para as margens do Piracicaba. Motivo? Recuperar garrafas pet ou quaisquer outras sujeiras que estejam nas águas do rio. O ‘cachorro ecológico’ se tornou atração na região da Rua do Porto.

Sob o comando do dono Sassá, o cão recolhe garrafas que estão no rio Piracicaba. A ansiedade do cão é tamanha que quando não há garrafas ou pedaços de árvores dentro do rio, o dono precisa jogar algo para que Pingo recolha. “Sempre foi assim”, diz Sassá. Ninguém duvida. Em pouco menos de meia hora, o cachorro pula nas águas do Piracicaba cinco vezes, sempre atrás de alguma sujeira que possa retirar. “Esse danado não se cansa nunca. É capaz de ficar toda a tarde recolhendo as garrafas que eu mesmo preciso jogar para acalmá-lo”, comenta Sassá.

A disposição de Pingo é de dar inveja. O cachorro fica olhando o rio constantemente a procura de algo que possa recolher imediatamente. Sob o comando do dono, o cão ganha contornos heróicos e pula na água ao menor sinal,sem se importar com frio ou calor. “Ele não liga”. Pingo quer apenas pegar o que tiver de estranho nas águas do Piracicaba. Principalmente garrafas. “É o que tem de mais comum”, comenta Sassá. “Ele foi acostumado a recolher esse tipo de sujeira, mas também pode pegar galhos”, observa.

O fôlego de Pingo é digno de destaque. Mesmo quando a força da correnteza do rio Piracicaba assusta, ele não desiste. Ao contrário. Parece ganhar força. Depois de pular na água, Pingo começa a nadar. Em questão de minutos, ele alcança e agarra as garrafas pelo gargalo. Apenas com a cabeça fora da água, procura o local ideal na margem do Piracicaba para sair. Cansado? Não. O cachorro se senta e volta a olhar o rio em busca de uma nova aventura.

Todo esse movimento rendeu ao cão merecida fama na Rua do Porto. Pingo se transformou em um dos grandes atrativos para turistas e vizinhos aos finais de semana. “Todo mundo quer ver quando ele caça alguma garrafa na água. As crianças se divertem com o cachorro, que é muito manso”, diz o dono. “Ele é capaz de me cansar antes dele ficar cansado, de tantas vezes que eu tenho de ficar jogando garrafa para os outros verem”, assinala Sassá. O ‘estrelato’ rendeu a Pingo até mesmo um vizinho enciumado. É o Teimoso, que olha ao longe o ‘astro’ e, sempre que pode, persegue-o no momento em que Pingo, indiferente, pula na água. É o preço da fama.

Origem
Embora não se lembre com exatidão há quanto tempo está com Pingo, Sassá diz que a vocação ambiental do cãozinho começou de maneira involuntária. “Eu mandei que ele pegasse uma garrafa pet dentro do rio e ele acabou gostando da história”. E como. Sassá precisa levar Pingo pelo menos uma vez por dia para brincar nas águas do Piracicaba. No momento em que vem o cansaço, Sassá sai do rio e retorna para casa e deixa Pingo na água. O cão sai de dentro do rio e retorna para casa. Ainda serelepe, senta-se para, enfim, restaurar as energias. Não é fácil ajudar a natureza.

Fonte: Gazeta de Piracicaba
Imagem: Ramosforest

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