Arquivo para a categoria 'Adestramento'

Rapidinhas sobre banheiro

Como ensinar a fazer o xixi no lugar certo? Fácil. Leve-o para o lugar que reservou para ser o banheiro dele 10 minutos depois de todas as refeições, logo depois de acordar ou brincar demais e ficar cansado. Deixe-o em cima do jornal e não faça nada, apenas Pronto, tô limpo.espere. Se o local for fechado, como uma varanda, ou ele tiver um cercadinho, melhor, porque o cão não vai ter pra onde ir e vai acabar se aliviando ali mesmo. Fez no jornal? Brinque com ele, elogie, diga "bom garoto" e tire-o de lá. Faça isso por muitos dias, até você observar que ele já entendeu que a superfície do jornal é que é o local certo.

Ele fez xixi no local errado, o que fazer? Não dê bronca, não diga nada. Se o pegar no ato, fazendo no lugar errado, segure-o e o leve para o jornal. Se só se der conta da sujeira depois, limpe o local sem que o cãozinho veja. O ideal é usar removedores de odores que vendem em pet shops ou supermercados, porque os produtos de limpeza não conseguem eliminar o cheiro por completo.

Não recomendo dar bronca no cão quando fizer no lugar errado, porque o filhote pode começar a não fazer nada na sua frente, por temê-lo. Ou ainda pode escolher aquele lugar pra fazer sempre que quiser chamar a sua atenção. Além disso, alguns podem desenvolver o ato de comer as próprias fezes (coprofagia) para escondê-las dos donos.

Truque de cruzar entre as pernas

Como ensinar o cão a fazer o truque de cruzar entre as pernas?
(Marcela)

Aslam e Juliana Mourão Esse truque é muito legal, e é bem mais simples de ensinar do que parece.

Comece ensinando seu cão a passar por baixo das suas pernas. É muito fácil de fazer, é só usar o petisco para guiá-lo, e recompensar quando ele passar. Quando estiver fazendo direitinho (não precisa nem estar sob comando, mas ele deve ter entendido o princípio), você pode começar a ensinar a trançar.

Cachorro à sua esquerda, você parada, com as pernas fechadas. Com a perna direita, dê um passo bem largo para a frente, e pare, com as pernas abertas nessa posição. Usando o petisco, guie o cachorro para passar por baixo, da esquerda para a direita. Premie quando ele chegar na direita.

Agora, leve a perna esquerda para frente, também num passo largo, parando com as pernas abertas, com a esquerda na frente. Guie o cachorro da direita para a esquerda, premiando quando chegar na esquerda.

Vá fazendo isso, um passo de cada vez, premiando sempre que ele passar por baixo para o outro lado. Eles aprendem super rápido. Aos poucos, comece a exigir que ele trance da esquerda para a direita e da direita para a esquerda antes de premiar.

Quando for guiar, no começo use o petisco na mão, mas depois de algumas repetições, tente fazer só com a mão, sem o petisco visível, assim, ele não vai estar focado no petisco.

Aumente o número de passos antes de premiar, aos poucos, um passo de cada vez. Comece a subir a mão, para diminuir o tamanho do gesto. Quando você perceber que ele realmente está oferecendo o comportamento, comece a usar um comando de voz assim que ele começar a executar – eu uso “Trança”.

É como ensinar qualquer outro comando, e geralmente é um comando simples, que eles adoram.

Deborah Leão

Targeting

É uma ferramenta de adestramento fácil de fazer e ensinar que poupa tempo no ensino de outros comportamentos. Target significa alvo e é exatamente é isso que ensinamos, ensinamos o cão a seguir um alvo. Pode-se usar qualquer objeto como target, a própria mão, a perna, a guia, um osso, etc. Mas geralmente o que os profissionais mais usam são um adesivo colorido, uma bastão e a mão. O princípio para ensinar os três é o mesmo.

Construção do bastão target:
Qualquer haste (antena, pau, cano) com pelo menos o tamanho da diferença entre a altura da mão e a cabeça do cão. E cole uma fita adesiva ou pinte na extremidade da haste com a cor azul ou amarela – pois são pigmentos que o cão discrimina bem.

Ensinando o target:
Devem se reforçar com clique e reforço primário¹ (C+R1) cada aproximação gradual que o cão fizer do target. ¹Reforço primário é a recompensa, comida, brinquedo, água, ou seja lá o que for que você esteja usando.
O objetivo é que o cão toque o target sem mordê-lo.

Passos:
1. C+R1 sempre que o cão olhar a haste com o target. A haste começará a ganhar o status de estímulo condicionado.
2. C+R1 a cada movimento de cabeça em direção a haste. Você pode induzir o movimento segurando a haste em um lado ou outro da cabeça (ligeiramente acima do focinho). Mantenha o cão nas 4 patas, pois para ele é mais fácil de mover-se nesta posição do que sentado.
3. C+R1 sempre que o cão tocar o bastão com o focinho e dê um jackpot ( jackpot = 1 clique e vários reforçadores primários).

Obs:: cães naturalmente farejam novos objetos que lhe são apresentados. Capture este movimento para acelerar o processo.

Ensinando toques múltiplos:
O target é fácil de ensinar dentro de poucos dias com 2 sessões de treinos diários, pode-se ter um cão fluente no target.
Ensinar múltiplos toques aumenta a força do comportamento e o torna resistente a extinção. E só deve ser iniciado quando o cão já estiver tocando o target.

Passos:
1. Quando o cão tocar o target pela primeira vez, mantenha a haste na posição e não dê o C+R1.
2. Espere alguns segundos. O cão parecerá surpreso e voltará a tocar o bastão, então C+R1. O comportamento agora está mais forte. O cão encarou a chance de abandonar o comportamento, mas não abandonou. Você ensinou a ele que se perseverar conseguirá.
3. Aleatorize (torne imprevisível) o número de toques necessários para cada C+R1. Às vezes 2:1 outras 1:1 (números de toques : C+R1).
4. Após algumas sessões de treino aumente para 3:1 e intercale com 2:1 e 1:1.
5. Repita o processo com 4:1 e 5:1.

Ensinando a “deixa”:
Depois que o comportamento se tornar consistente é hora de ensinar a deixa. A deixa não é um comando, ela informa ao cão o que é que ele está fazendo e avisa de uma oportunidade. Ele não atende a deixa porque “deve” e sim porque ela estabelece uma oportunidade para C+R1.

Escolha uma palavra e um tom de voz. Eu uso a palavra “touch”. Você pode ensinar de duas formas:

1. Mostrando o target e quando o cão tocar o target você falar a deixa e depois dar o C+R1
2. Falar a deixa antes de mostrar o target (meio segundo antes) e só C+R1 quando o cão tocar. Eu prefiro essa.

Importante: Quando estiver nessa etapa, o reforçamento volta pro esquema 1:1 ou seja, cada toque recebe uma recompensa. No entanto, só recompense os toques que forem precedidos pela deixa.

Depois de algumas sessões é importante extinguir o comportamento de tocar o target sem a deixa. Então você vai mostrar o target para o cão e sem movê-lo ou dizer nada, vai deixar o cão tocar o target algumas poucas vezes sem nada dizer ou fazer. Vai retirar o target. Vai dar a deixa e mostrar o target novamente. Se o cão tocar, você recompensa. Se não, você simplesmente retira o target, anda um pouco e repete o processo.

Gustavo Moreno

Comando "procura" – um jogo para brincar com o seu cão

Diversão em recinto fechado para seu cachorro em dias chuvosos, este jogo também é um meio de fazer uso da excelente sensibilidade olfativa do seu peludo. Além disso, o jogo o mantém ocupado, e é uma boa oportunidade para treinar o “fica”. Também é um modo de aumentar o vocabulário do seu cachorro e pasmar seus amigos e família.

Cheira, cheira...Para começar, escolha um petisco muito gostoso, pois a idéia é associar o comando “procura” a uma consequência muito agradável. Os melhores petiscos são aqueles pequenos, mas de cheiro forte.

Peça para seu cachorro se sentar e lhe mostre o petisco. Faça com que ele permaneça sentado, pedindo o “fica“. Caminhe dois passos longe dele e coloque o petisco no chão. Volte ao cachorro e diga “procura” assim que ele estiver em cima do petisco, e elogie. Quando ele comer o petisco, elogie mais um pouco.

Isso não chega a ser um desafio para o cachorro ainda, mas o primeiro objetivo do dia é apenas associar o comportamento com o comando.

Aumente a distância que o cachorro tem que andar para achar o petisco, mas ainda o deixe à vista. Comece com três ou quatro passos de onde seu cachorro está se sentando. Se seu cachorro tentar levantar antes, o devolva para a posição original e o faça esperar.

Uma vez seu cachorro esteja compreendendo o “procura”, o que pode levar vários minutos ou vários dias, aumente a dificuldade. Com seu cachorro olhando, coloque o petisco atrás de uma perna de mesa ou de uma caixa. Volte a seu cachorro e diga “procura”. Quando ele achar o petisco, o elogie.

Vá dificultando gradualmente, mas se atenha a um cômodo da casa. Uma vez que o cão tenha assimilado bem, sente-o em um cômodo enquanto você esconde o petisco em  outro adjacente. Deixe seu cachorro cheirar sua mão e diga “procura”. Siga-o para que possa assistir e o elogiar quando ele achar o petisco. Seu peludo o deixará surpreso como pode achar depressa a recompensa. Elogie bastante!

Comando "senta"

Aslam Este comando é, com certeza, um dos mais importantes a ensinar ao seu cão, pois ele serve de base para muitos outros truques. Por isso recomenda-se que seja o primeiro ou um dos primeiros comandos a ser treinado, visto que é muito mais fácil ensiná-lo a dar a pata, implorar ou deitar se ele já tiver assimilado bem o “senta”.

Para ensinar ao seu cão a sentar, você precisará de alguns petiscos cortados em pedaços pequenos. Ou, ainda, utilizar a ração se ele for muito guloso, ou mesmo um brinquedo do qual ele goste muito. O que importa, na verdade, é que seja algo que desperte o interesse do animal e o motive a conquistá-lo.

Fase 1
Com um pedaço de petisco à mão, posicione-a em frente ao focinho do cão. Lentamente erga a sua mão para cima, como que na direção dos olhos dele. Não levante demais, pois isso poderá induzi-lo a pular. À medida em que o cão levantar o focinho, a parte traseira do seu corpo tenderá a descer, fazendo com que ele fique na posição sentada.

Assim que ele sentar, clique e recompense com o petisco. Se não tiver o clicker, apenas entregue o petisco. Nessa hora o importante é não dizer a palavra “senta”, pois o cão ainda não fixou o comportamento. Nós a introduziremos depois.

Gaste o tempo que for preciso com esse exercício e pratique até que o cão possa ser induzido a sentar com facilidade e responda de maneira espontânea ao movimento da mão.

Fase 2
O comando gestual é introduzido de forma que o cachorro não fique condicionado ao petisco para oferecer o comando. Nós primeiro vamos alternar a indução com petisco e o comando gestual. Isto fará o cachorro pensar que há petisco em nosso comando gestual.

Exercício 1: (com petisco)

1. Tenha um pedaço pequeno de petisco em sua mão.
2. Posicione sua mão em frente ao focinho do seu cachorro.
3. Lentamente erga sua mão para cima, e em direção aos olhos dele.
4. No momento em que ele se sentar,
5. clique seu clicker, e então lhe dê o petisco.

Exercício 2: (sem petisco)

1. Não ponha petisco em sua mão.
2. Posicione sua mão em frente ao focinho do seu cachorro.
3. Lentamente erga sua mão para cima, e em direção aos olhos dele.
4. No momento em que ele se sentar, clique seu clicker.
5. Então traga o petisco à sua mão, e então lhe dê o petisco.

Pratique estes exercícios constantemente até seu cachorro se sentar dentro de um segundo depois que você fizer o comando gestual.

Fase 3
Agora que o cão já está sentando toda vez que você apresenta o comando gestual, o comando oral será inserido. Diga “senta” e faça o gesto ao mesmo tempo. Depois de repetir algumas vezes, tente dizer “senta” sem o comando gestual. Se o cão sentar, recompense e faça muita festa. Se ele não entender, repita o exercício até que ele associe o comando ao ato de sentar.

Uns dos erros mais comuns que os donos cometem, é que eles repetem o comando muitas vezes. “Senta, Rex. Rex, senta. Senta, senta…” Está é uma indicação clara de que o comando não foi condicionado com sucesso. O cão deve sentar logo depois de dado o comando, sem hesitar. Se ele demora para responder ou senta muito devagar, o melhor é retornar aos exercícios e treinar mais um pouco.

Paula Andrade

Como fazer um cachorro parar de pular

Pode ser um encontrão de uma raça alegre e gigante ou o balé nas patas traseiras das raças pequenas: pular é uma característica e um problema universal do mundo canino. Não há duvidas de que esse comportamento é uma graça nos filhotes, mas à medida em que o filhote cresce, especialmente se é um cão grande, o que era antes engraçadinho pode ficar perigoso. Você pode não ligar para esse cumprimento de corpo inteiro, mas a primeira vez em que sua sobrinha de 2 anos ou sua tia de 87 anos forem abraçadas ao cruzar a porta de entrada, você vai mudar de idéia.

Na verdade, mesmo que pular possa ser um comportamento solícito e amigável, é mais freqüentemente um lance de dominância. Especialmente entre os cães adultos, um subordinado nunca pensaria em colocar suas patas no corpo de um dominante. Então, o cumprimento excitado que mais parece uma bola de canhão e que faz você se sentir tão amado pode na verdade ser seu cachorro dizendo “Você voltou! Tudo bem, mas não esqueça quem manda aqui.” Você pode responder de duas maneiras: ensine seu cachorro que pular espontaneamente não é aceitável e adestre ele para pular somente ao seu comando.

Para corrigir um cumprimento excessivamente físico, aja da mesma maneira relaxada e tranqüila com que quer que ele reaja. Quando chegar em casa, não entre correndo chamando seu cachorro. Ao invés disso, faça dos cumprimentos uma parte da rotina e não um evento especial. Entre, pendure seu casaco e chaves e depois, cumprimente o cachorro com calma, longe da porta de entrada. Se om cachorro tentar pular, saia de perto e não dê a mínima atenção a ele. Assim como as crianças, os cachorros adoram ser notados, não importa se por bom ou mau comportamento. Gritar ou imobilizar seu cachorro no chão só vai deixá-lo mais empolgado. Então, evite qualquer tipo de reforço de seu comportamento, seja verbal ou físico. Quando ele aprender que você não quer que ele pule, ensine-o a sentar quando você chega em casa. Se você recompensar esse comportamento com elogios ou petiscos, seu cão vai logo aprender que acontecem coisas boas quando ele senta e espera.

Fonte: Consultant Dr. William Fortney, traduzido por HowStuffWorks Brasil.

Como funciona o adestramento canino – parte V

Adestramento com clicker: eliminando comportamentos indesejados

Hector, um chihuahua mix, espera que arremessem a bola para ele pegarÉ muito mais fácil ensinar um cachorro a fazer algo bom do que ensiná-lo a não fazer algo ruim. Ao retirar um comportamento indesejável de um cachorro, a primeira coisa a se considerar é a recompensa que ele está recebendo quando realiza essa ação ruim. Ele deve estar ganhando alguma recompensa ou não continuaria a repetir o comportamento, mesmo que as recompensas sejam sutis ou não intuitivas.

Quando um cachorro pula sobre o dono e o empurra, colocar a mão sobre ele é a recompensa física que ele ganha e pode ser mais importante para o cachorro do que o castigo de receber um grito. Os adestradores devem tomar cuidado para, sem querer, recompensar os cães por comportamentos indesejados. Quando o adestrador identificar e eliminar a recompensa acidental (tanto quanto isso for possível), o próximo passo costuma ser adestrá-lo a realizar uma ação incompatível com o comportamento indesejado. O cachorro que foi adestrado para se sentar assim que o dono pega a coleira não pode pular e derrubar o dono ao mesmo tempo em que está sentado.

O clicker é uma ferramenta de adestramento e os adestradores não devem utilizá-lo de maneira arbitrária. O propósito do clicker é mostrar o comportamento desejado. Após o cão ter entendido o comando e realizar a ação com freqüência, é possível eliminar o clicker. Ainda dá para continuar recompensando o cão, mas, com o tempo, é possível mudar de uma guloseima que ele realmente adora para outro alimento mais comum. E depois, talvez até migrar para a recompensa verbal. Quando o comportamento tiver sido aprendido por completo, pode ser que não seja necessária nenhuma recompensa, embora, assim como as pessoas, os cães apreciem receber “feedback” quando fazem algo certo.

O condicionamento operante é uma ferramenta poderosa para moldar o comportamento de quase todos os animais, incluindo os cães. Concentrar-se no reforço positivo ajuda todo mundo a aproveitar o adestramento e aprofunda o elo entre o adestrador e o aprendiz. O uso de um marcador ajuda a mostrar com exatidão qual é o comportamento desejado e acelera bastante o processo de adestramento. Quando um cachorro não consegue aprender alguma coisa, costuma ser um problema de comunicação e não uma falta de vontade de cooperar. Um bom adestrador pode ajudar a solucionar estes problemas. Os únicos limites reais deste tipo de adestramento são a habilidade do adestrador em identificar corretamente os reforços significativos e em quebrar o comportamento desejado em etapas que possam ser realizadas.

Recompensas X Punições?

Por que utilizar recompensas no lugar de punições? Não há dúvidas de que tanto as recompensas quanto as punições podem ser reforços eficazes, mas as recompensas costumam ser mais fáceis de serem usadas. Para ser eficaz, uma punição deve ser imediata, intensa, inevitável e consistente, o que é extremamente difícil de se conseguir no dia-a-dia. É muito fácil estragar uma punição se não for realizada no momento certo, ou se utilizar força inadequada ou excessiva. Além disso, os cães costumam associar as conseqüências desagradáveis ao adestrador, em vez de associá-las ao comportamento errado.

Fonte: Hannah Harris, traduzido por HowStuffWorks Brasil.

Leia também: Como funciona o adestramento canino – parte I, II, III e IV.

Como funciona o adestramento canino – parte IV

Adestramento com clicker: introduzindo comandos

Senta, Rex. O clicker não tem um significado natural para o cão. Assim como acontecia com o sino de Pavlov, o cão deve aprender que ele significa “O prêmio está chegando!”, através do condicionamento clássico. Para fazer isso, os adestradores “carregam” o clicker ao clicar repetidamente e, então, oferecer um prêmio imediatamente. Desta maneira, o cão aprende a associar o clicker ao prêmio. E após o cachorro saber que o click significa que vai receber um prêmio, ele está pronto para começar a aprender novos comportamentos.

Bom garoto! Os adestradores têm diferentes métodos de levar um cão a realizar certo comportamento. Alguns dizem que se deve usar comida para levar o cachorro a ficar na posição adequada. Outros simplesmente esperam o cachorro oferecer o comportamento simultaneamente. A maioria dos adestradores que usam o clicker não são a favor de usar as mãos para forçar o cachorro a ficar na posição desejada, já que isso contraria a filosofia do adestramento com clicker, que é a de não forçar nada.

Salta! É crucial agir no momento exato em que o cachorro oferece o comportamento. O adestrador tem de clicar no momento exato em que vê o comportamento que deseja. Se o cachorro deitar e rolar antes do adestrador clicar, o ato de rolar foi o comportamento marcado como o comportamento desejado, não o deitar.

No adestramento com clicker, os cães são capazes de aprender padrões complicados de comportamento, mas você deve ensinar a seqüência gradativamente. Por exemplo, se quiser ensinar seu cachorro a pular através de um aro, pode começar clicando e dando o prêmio pelo simples ato de andar até o aro. Quando ele estiver mantendo esta ação de andar até o aro, você começa a clicar somente quando ele enfiar a cabeça através da abertura do aro e, depois, apenas quando ele tiver andado através dele. Então, chegará o momento em que você clicará somente quando ele o atravessar. O padrão para se receber uma recompensa vai aumentando à medida que o cão aprende cada um dos novos passos. Esse é o ato de moldar.

Em vez de dar um comando para depois ensinar ao cachorro o que ele significa, a maioria dos adestradores que usam o clicker preferem introduzir o comando somente após o cachorro oferecer a ação com uma boa freqüência. É possível adaptar o estímulo de movimentos (como segurar um prêmio e colocá-lo na frente do focinho do cachorro, e então colocar o prêmio no chão para ensinar o comando “deitado”) em comandos gestuais ao estilizar o movimento e eliminar o prêmio. Muitos adestradores acham que sinais gestuais são mais fáceis de aprender do que os sinais verbais, mas o ideal é que o cachorro responda a ambos. Após um cachorro começar a oferecer o comportamento desejado, o adestrador pode começar a usar o comando para que o animal aprenda a associar os dois, até chegar o momento em que o adestrador somente aceitará o comportamento se ele foi solicitado com um comando, e não quando foi oferecido de forma espontânea.

Toca aqui!É importante lembrar que os animais aprendem de acordo com o contexto, o que significa que podem entender um comando em um local e não entendê-lo em outro. Um cachorro pode aprender a sentar quando o adestrador estiver em pé, mas também pode ficar bastante confuso quando o adestrador der o comando estando sentado. Ao treinar um novo comando, os adestradores precisam adicionar novos contextos (ajudando sempre que necessário), para ensinar o cachorro a generalizar as situações.

Fonte: Hannah Harris, traduzido por HowStuffWorks Brasil.

Leia também: Como funciona o adestramento canino – parte I, II, III e V.

Como funciona o adestramento canino – parte III

Marcadores

Golfinhos fazendo apresentações Keller e Marian Breland foram alunos de B. F. Skinner e expandiram suas técnicas para adestrar vários outros tipos de animais. Na década de 50, Keller Breland começou a desenvolver um programa de adestramento para mamíferos marinhos. Por razões óbvias, é difícil e perigoso criar uma punição eficaz para um golfinho ou uma orca. Assim como também é desafiador recompensar um mamífero marinho rapidamente, pois ele fica na água, enquanto o adestrador costuma estar a alguma distância, no solo.

Muitos dos mesmos problemas também acontecem no adestramento de cães. Se um cachorro sentar, pular, rolar e, depois de tudo isso, receber um presente, provavelmente não vai saber qual parte de sua performance agradou ao adestrador. E isso é especialmente verdade se o adestrador levar um minuto para pegar o prêmio e dá-lo ao cachorro. Normalmente, o cão irá associar a recompensa ao último comportamento realizado antes de receber o prêmio. Então, caso o cachorro sentasse, pulasse e depois recebesse um prêmio, ele estaria sendo treinado para pular e não para sentar.

Isso também se aplica às punições. Caso um cachorro fuja de seu dono e fique se escondendo, é normal o dono puni-lo quando o encontrar. Contudo, a última coisa que o cachorro fez antes de ser punido foi ir até o dono, o que faz com que seja provável que o cachorro passe a atender menos ao chamado do dono, em vez de fugir menos.

Breland resolveu este problema com o desenvolvimento de um marcador, ou sinal, que mostraria ao animal que ele desempenhou algo corretamente e receberia uma recompensa em seguida. Breland usou o condicionamento clássico para associar um sinal a uma recompensa, fazendo com que o animal soubesse que, ao ouvir o sinal, receberia uma recompensa. Então ele usou o condicionamento operante para moldar o comportamento utilizando recompensas positivas.

O marcador ajuda a reforçar o comportamento correto porque é imediato. Mas ele não é a recompensa, ele é um sinal de que o comportamento foi correto e uma promessa de que uma recompensa está a caminho. Como os mamíferos marinhos são naturalmente orientados a se comunicar por sons, fazia sentido utilizar um apito como marcador.

Karen Pryor utilizou as mesmas técnicas de reforço positivo para treinar golfinhos na década de 60. Ela percebeu as vastas aplicações deste tipo de modificação comportamental e, em 1984, escreveu o livro “Don’t Shoot the Dog”, que, apesar do nome, não fala sobre adestramento de cães. Ele fala sobre o uso do reforço positivo para moldar o comportamento de qualquer um, de gatos de estimação a adolescentes difíceis. Muitas empresas ainda usam este livro para ensinar a seus funcionários sobre como gerenciar de maneira eficaz.

Clickers de metal costumam ser usados como marcadores

Pryor usava um clicker de metal (objeto que emite um pequeno som ao ser apertado, ou clicado) como um marcador para começar a moldar o comportamento de cães, assim como de vários outros animais, e é o nome mais associado ao adestramento com clicker moderno. Suas técnicas foram adotadas por outros adestradores e o advento da Internet fez com que o adestramento com clicker se espalhasse rapidamente.

Karen Pryor descreve o clique como tirar uma foto do comportamento que você deseja. Você aperta o botão da câmera naquele segundo exato e o click significa, “você fez alguma coisa, foi a coisa certa e agora você vai receber um prêmio por isso”.

Muitos adestradores iniciantes cometem o erro de clicar para marcar o comportamento, mas não dão o prêmio na seqüência. Sem a recompensa, o cachorro pode continuar a repetir o comportamento por um tempo, mas vai acabar deixando de fazê-lo.

Outros marcadores

Um marcador não tem de ser um clicker. Pode ser qualquer coisa que marque o comportamento desejado. Os adestradores de golfinhos costumam usar apitos, já os peixes podem ser adestrados ligando e desligando uma lanterna, assim como coleiras vibratórias podem marcar o comportamento de cachorros surdos. Há ainda pessoas que marcam o comportamento com uma determinada palavra, como “isso!” O marcador pode ser qualquer coisa, desde que seja curto, específico e consistente. E vale ressaltar que devemos ter cuidado ao usar a voz como marcador principal, já que o tom nem sempre é consistente e as palavras ou sons marcadores também podem ser usados em conversas comuns e acabar perdendo importância para o cachorro.

A seguir, vamos aprender como introduzir comandos.

Fonte: Hannah Harris, traduzido por HowStuffWorks Brasil.

Leia também: Como funciona o adestramento canino – parte I, II, IV e V.

Como funciona o adestramento canino – parte II

Os reforços

Os reforços podem envolver tanto a inclusão de um novo elemento quanto a remoção de um elemento já presente. A terminologia para isso é um pouco confusa, mas incluir algo é chamado de “positivo”, mesmo que não seja necessariamente no sentido de “feliz” ou “bom”. Já “negativo”, neste caso, é a remoção de algo e não obrigatoriamente significa algo “ruim”. Por isso, tanto as recompensas quanto as punições podem ser positivas ou negativas.

Dar um pedaço de fruta a um papagaio por ele ter balançado o pé é a inclusão de algo bom (uma recompensa positiva), já o ato de um cavalo se mover mais rapidamente para retirar a pressão das esporas é o fim de algo ruim (recompensa negativa). Mesmo que o termo “recompensa negativa” seja estranho, a remoção de algo ruim pode ser considerada uma recompensa.

As punições funcionam da mesma maneira. Quando um cachorro puxa a coleira e recebe uma puxada forte na direção oposta, especialmente quando está usando o enforcador ou coleira com pinos, trata-se de uma punição positiva ou correção. O cão recebe uma resposta desagradável para o comportamento indesejado. A punição também pode ser a remoção de algo bom, como quando uma criança perde o privilégio de sair com seus amigos após ter feito algo de errado. Isso é uma punição negativa.

Algumas punições positivas incluem as coleiras de choque, coleiras de pinos e enforcadores...

Há várias maneiras de ensinar um cachorro a sentar com o uso de um reforço. O adestrador pode empurrar ou levar o cão à posição sentada ou pode simplesmente aguardar até que o cão sente por vontade própria. Mas após ele se sentar, o adestrador pode oferecer uma recompensa positiva, como um elogio verbal (”bom garoto!”), elogio tátil (passar a mão na cabeça dele), o brinquedo favorito ou algo para comer. Já alguns adestradores usam recompensas negativas, como coleiras eletrônicas para administrar um choque leve no cachorro, que pára de funcionar assim que ele senta. O cachorro acaba aprendendo que é possível eliminar o choque quando se senta. Mas por razões éticas, várias pessoas não vêem esse método com bons olhos. Contudo, vale lembrar que ele segue os mesmos princípios de condicionamento operante. Em todos os casos, o cão irá aprender que quando ouve o comando “sentado” e se senta, irá receber uma recompensa.

...mas utilizar comida como reforço no adestramento é muito mais gostoso!

Os reforços podem ser praticamente qualquer coisa, contanto que sejam importantes para o cão. Um cachorro específico pode pensar que guloseimas são mais importantes do que brinquedos, enquanto outro pode ter uma idéia diferente. Na verdade, não importa qual reforço você utiliza, porém, por razões práticas, alguns reforços são mais fáceis de se usar do que outros. Além disso, o mesmo reforço não precisa ser usado em todas as situações. Há tarefas em que um reforço mais valioso é necessário. O adestrador de obediência do PetSmart, Dan O’Leary, diz, “você provavelmente subiria em uma cadeira se eu lhe desse um dólar por isso, mas acho que não lavaria e enceraria meu carro por um dólar”. Da mesma maneira, teu cachorro pode fazer o que você quer em troca de um tipo de recompensa no aconchego do teu lar, mas pode precisar de algo mais prazeroso para se manter concentrado durante a aula.

E quanto aos outros animais? Bem, vamos ver como os adestradores criam marcadores, ou sinais, para adestrar outros tipos de animais.

Fonte: Hannah Harris, traduzido por HowStuffWorks Brasil.

Leia também: Como funciona o adestramento canino – parte I, III, IV e V.

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