Entrevista com Wilson Ferreira (Will)

Wilson ensinando o deixa ao Hooper. 1. Olá, Wilson, quando e como você começou a adestrar cães?

Olá, primeiro gostaria de parabenizar pela atitude de criar esse espaço, que tenho certeza que será de grande ajuda para muitas pessoas.

Bem, sobre meu começo é uma história longa, mas vou tentar resumir. Fui criado em sítio e como na maioria deles tem sempre muitos animais, minha paixão por eles veio dali. Ao passar dos anos, conheci uma veterinária, a qual me falou sobre o assunto e me aconselhou a fazer o curso, justamente porque via a forma de eu lidar com os animais. Esse primeiro curso tem mais ou menos 5 (cinco) anos.

2. Tem algum tipo de formação especializada como adestrador?

Especializei-me em problemas de comportamento animal, trabalho procurando saber o porquê do comportamento errado de cada animal, um trabalho investigativo onde tenho que fazer perguntas sobre toda a rotina da casa em relação ao cão, descobrir a maneira que o cão é alimentado, os momentos de carinho de brincadeiras, enfim, tudo que esteja relacionado ao meu verdadeiro cliente: o cão.

3. Você utiliza o adestramento com clicker?

Sim, o adestramento com o clicker faz muita diferença por uma série de motivos:
– Dá mais confiança aos donos porque com essa ferramenta não tem como o animal ser agredido, como, por exemplo, forçar a anca do animal para baixo e puxar a guia para cima ao mesmo tempo obrigando o mesmo a obedecer;
– Agiliza o adestramento. A partir do momento em que o cão aprende que o clicker significa que será recompensado, ele fica tentando provocar a recompensa, tentando acertar o comportamento que você espera dele, e quanto mais ele tentar mais chances ele vai ter de acertar;
– Com o clicker ele vai se esforçar mais e mais para aprender novos truques e isso, conseqüentemente, acarretará em menos gastos para o dono, visto que, se o aprendizado for mais rápido, menos aulas serão necessárias.

4. Quais outros métodos utiliza?

Trabalho especificamente com “correção” de comportamento e, em alguns casos, o problema é justamente pelo fato do cão ser muito medroso. Nesses casos, às vezes o simples barulho do clicker é motivo para o cão se assustar e assim atrasar o adestramento, mas o método é muito parecido, a diferença é que é retirado o marcador, ou seja, faz-se o adestramento de forma positiva, porém sem o barulho.

5. Na sua opinião, qual a maior vantagem do adestramento?
…para as pessoas?

Para as pessoas é o fato de conscientizar que os cães não são pessoas e é preciso respeitar isso. Transportar para um animal uma carência pessoal ou isolá-lo do convívio com outros seres é fatalmente trazer com isso problemas de comportamento, e trazer transtorno no convívio com as pessoas dentro de casa, com vizinhos, com outras pessoas na rua e com outros animais também.

…e para os cachorros?

O adestramento, sendo na forma convencional ou adestramento positivo, serve para que o cão aprenda sua posição na hierarquia da casa e, deixado isso claro pra ele, ele será indiscutivelmente um animal mais feliz, mais saudável no quesito físico e psicológico, com as regras bem estabelecidas. Ao contrário do que as pessoas imaginam, os cães não gostam de ser tratados de forma igual entre eles (cães não são pessoas, não tente fazer com que eles tenham direitos iguais). Quando um ser humano sem conhecimento de comportamento animal tenta fazer com que um cão dominante aceite que o cão submisso seja tratado de forma igual gera brigas entre eles, isso em quase 100% dos casos.

6. O que costuma levar as pessoas às suas aulas?

Bem, na verdade, nada, eu que as levo até as pessoas. (risos) Trabalho na casa do cliente e sempre sou chamado justamente para ensinar às pessoas os comportamentos dos animais. Confesso que às vezes os problemas são tantos que fica difícil responder a tudo, e só a experiência não basta, é necessária uma observação, um acompanhamento do cão, para ser exato nas respostas e junto com os donos resolvermos o(s) problema(s).

7. É verdade que algumas raças ou temperamentos de cães respondem melhor ao adestramento?

Isso é polêmico, a maioria das pessoas (profissionais) acredita que sim, eu sou meio controverso quanto a isso. Antes de ser um Akita, um Chow Chow, um Labrador, ou um Pit, ele é um cão, portanto trás consigo na sua carga genética as características de um cão. É claro que sei que cada animal foi desenvolvido para uma determinada função e que isso também está em sua carga genética, porém, isso vem depois dele ser um cão.

É normal você encontrar um cão de pequeno porte que fica latindo desesperadamente, ou um cão de grande porte que fica pulando nas pessoas e isso pra mim tem mais a ver com a facilidade que eles encontram de chamar pra si a atenção das pessoas.

Ex: Se um Pinscher latir, o seu latido é agudo e facilmente ele conseguirá chamar a atenção, mas se ele ficar pulando nas suas pernas você simplesmente diz “não” e passa por ele. Difícil fazer isso com um Labrador ou um São Bernardo. Por outro lado Um Pastor Alemão ou um Rott vão conseguir facilmente te desviar do caminho e fazer com que você dê atenção a ele, não vão precisar desenvolver aquele latidinho fino e muitas vezes irritante aos ouvidos de um cãozinho pequeno.

O mesmo acontecem com cães que aprendem que se ficar chorando o dono vem logo ver o motivo do choro, isso independente do tamanho. Eu mesmo tenho um velhinho aqui em casa que é assim, minha esposa fica com pena dele por estar velhinho e doente e sempre vai ver toda vez que ele dá um chorinho e, é claro, que ele aprendeu isso muito rápido! (risos)

8. O que gostaria que as pessoas soubessem sobre o adestramento?

Que é a maior forma de carinho que você pode dar a um cão. Aprender a lidar com ele como um cão e respeitar os seus instintos é uma prova de amor imensurável. Acredito que se um cão pudesse falar, ele diria:
EU SOU UM CÃO, NÃO TENTE ME TRANSFORMAR EM UMA PESSOA, MUITO OBRIGADO.

9. Gostaria de acrescentar mais algum comentário?

Apenas dizer que estou as ordens para debater e esclarecer meu ponto de vista e, é claro, “ouvir” a de quem queira conversar. Tenho por princípio que a troca de informação por debates ou por espaços como esse aqui é importantíssima para o aprendizado e para uma vida mais saudável para nós e para nossos queridos aumigos.

Wilson Ferreira
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
(21) 8688-5904/3469-2238

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3 Responses to “Entrevista com Wilson Ferreira (Will)”


  1. 1 Marisa 15 julho, 2010 às 10:14 am

    Olá, caro Will. Não nos conhecemos, mas temos algo em comum:o amor aos cachoros. Gostaria de colocar prá você uma situação que passei esta semana: tenho 3 cachorros, uma poodle (13 anos e meio), uma coker (7 anos) e um coker ( 8 anos e meio). Semana passada, adotei um cachorro, porte grande, SRD, tipo boxer, que a dona dele morreu em maio e ele era cuidado pelo jarduineiro do condomínio. Lindo cachorro, dócil, apesar do tamanho. Fui à Terezópolis para con hecê-lo e acabei trazendo-o para a minha casa. Ele é maravulhoso, me obedece em tudo. Impressionante, como ele gosta de mim, parece que nos conhecemos há muito tempo. Nesta última 2ª feira, resolvi adotar uma fêmea, que já vinha mantendo contato há mais de 2 meses, e finalmente ela veio para a minha casa. Bem, no 1º dia, ela se comportou médio, pois não saía da minha cama, mesmo que eu a colocasse no chão. No fuinal das contas, para que eu pudesse dormir um pouco, deixei que ela ficasse na beirinha da cama. S´[o que as 2 fêmeas que tenho, dormem comigo há muito tempo, e a novata resolveu colocar todo mundo prá correr. Ficou uma situação bem difícil. No 2º dia, ela começou a avançar em todos os 3, principalmente quando estavam do meu lado. Se ele estivesse do meu lado, era pior ainda, aí é que a coisa ficava preta, chegando a me morder, de leve, como se estivesse reprovando a mina atitude de dar atenção aos outros. Consequência: resolvi levá-la de volta para a casa aonde estava e conversei com eles a respeito desse comportamento, incluindo o fato de destruir tudo o que via pela frente. Foi tremendo!O que fazer? Buscá-la e tentar novamente ou deixar que outra pessoa a adote?

  2. 2 enimar 18 maio, 2011 às 7:18 pm

    Boa noite !
    Tenho dois labradores macho, Thor 5 anos e Oliver 7 anos que não se entendem . Na realidade eles sçao do meu irmçao que passou a residir em outro estado .Oliver foi comprado e o Thor foi rejeitado pelo antiogo dono por ser muito levado e eu o adotei. Oliver e mais calmo , mas meio temperamental sempre comeu as patas , (sera q por stress) e implica com o outro aponto de ter agressçao fisica . Vivem separados para não brigarem . o que me deixa muito triste porque amo os dois e gostaria de te-los sempre juntos comigo.O que mais me preocupa é o Thor que anda na rua igual um louco me arrasta tenho medo dele se ferrir , fugir e etc . Saliento que eles ja foram adestrado quando residiam com meu irmão .
    Vc acha que eles podem voltar a serem amigos sem se ferir .
    O Thor pode ficar mais obediente e o Oliver para de comer as patas
    Att Enima

  3. 3 suzana p ponte 25 agosto, 2011 às 12:25 am

    Adorei e concordo com seu pensamento e sentimento pelos cães.Tentarei fazer o curso espero conseguir evoluir com este novo aprendizado e quem sabe trabalhar,pois amo cães.Muito sucesso para vc.


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