Diário da Phoebe – Dia 2

Depois da noite complicada, Phoebe acordou bem. Tinha colocado o relógio para despertar às 6 da manhã para cuidar dela, mas não dei conta. Pedi ao meu marido que a levasse para passear, para que eu pudesse dormir pelo menos um pouquinho, já que passei a noite toda acordando a cada barulho diferente.

Quando eles voltaram, dei os remédios dela, e em seguida ofereci a ração, que ela recusou. Pedi que ela entrasse na caixa, peguei meu clicker, e, com a porta da caixa aberta, comecei a treinar alguns comandos simples, recompensando com grãos de ração.

É interessante perceber, nos cães adestrados com clicker, que o petisco em si acaba sendo secundário ao prazer de trabalhar e acertar. Ela aceitou como recompensa a mesma ração que tinha recusado logo antes! Dei meia vasilha assim, aos pouquinhos, e então ofereci o resto, e ela comeu tudo.

Meu marido trabalha em casa, e isso foi um dos fatores importantes na hora de decidir levar a Phoebe para o apartamento. Porém, às segundas-feiras, ele faz um curso na parte da manhã, e eu e ele temos compromissos à noite. Assim, ela precisaria ficar sozinha durante toda a manhã, e mais uma hora e meia à noite, entre a saída dele, por volta das 19h30, e a minha chegada, por volta das 21h.

Não tínhamos plano B, tivemos que arriscar. Deixamos Phoebe sozinha com brinquedos, e saímos. Na hora do almoço, fui correndo para casa, e respirei aliviada quando cheguei: o porteiro disse que ela não tinha latido, e também não tinha destruído nada em casa, só puxou as almofadas do sofá para deitar em cima.

Um aspecto importante de ter cães em apartamento é a relação com os vizinhos. Cães eventualmente latem, fazem barulho, podem incomodar. Por isso, vale a pena alertar os vizinhos dessa possibilidade, explicar a história do cão, pedir a eles que avisem dos barulhos, para que você possa evitá-los. Mostrar preocupação com o bem-estar deles é a melhor forma de evitar guerras de vizinhança, que podem até culminar na obrigação de retirar o cão de lá.

Juridicamente, a questão é a seguinte: mesmo que a convenção de condomínio permita ter cães, e permita que transitem pelas áreas comuns, o condomínio pode determinar que o cão saia de lá se ele representar ameaça ao sossego, à saúde ou à segurança (os “três S”). Então, um cão agressivo ou latidor pode ser expulso do edifício, principalmente se o proprietário não souber exercitar a diplomacia e a boa vizinhança.

Fiquei com ela até a hora em que precisava sair, mas não a tempo do meu marido chegar. Tive que deixá-la sozinha mais uma meia hora, enquanto ele não vinha. Ele chegou e me ligou, dizendo que estava tudo bem.

Ou, pelo menos, aparentemente. Perto da hora em que ele iria sair novamente, à noite, me ligou dizendo que ela tinha vomitado. Phoebe sempre foi de vomitar sem causa aparente, especialmente em situações de stress, então não me preocupei. Ele limpou o vômito e saiu.

Cheguei à noite, e o porteiro avisou, dessa vez, que ela tinha chorado bastante. Subi, e a vizinha abriu a porta para dizer a mesma coisa. Abri a porta de casa, e a cena não era bonita: a sala estava toda vomitada, um vômito amarelo e bilioso.

Respirei fundo (mas não muito, que o cheiro era de ovo podre), e limpei tudo. Enquanto limpava, ela vomitou mais duas vezes, agora na cozinha. Os panos fediam, a casa fedia, e eu não sabia mais o que fazer por ela. Passei desinfetante em tudo, abri as janelas, coloquei coleira e guia nela e saí para a rua, pelo menos para deixar a casa secar e arejar.

Na rua, ela estava desesperada por comida. Ficava tentando pegar qualquer porcaria que encontrasse, coisa que já não fazia há muito tempo. E vomitou mais. Liguei para uma amiga veterinária aqui do Rio, e pedi ajuda. Ela me indicou uma medicação para diminuir o vômito, e disse para dar soro caseiro, porque ela devia estar desidratada.

Dei o remédio na rua, mesmo, para tentar evitar que ela vomitasse mais em casa. Chegamos em casa, já com meu marido, e fui fazer soro caseiro, enquanto ele passava mais desinfetante no chão. Ela bebeu, e não vomitou mais. Dali a umas 2h, ofereci aos pouquinhos metade da porção normal de ração, e ela comeu.

Na hora de dormir, nem tentamos deixá-la na caixa. Combinamos de revezar, e meu marido foi para o sofá, evitar mais stress. Segundo dia não foi moleza, não…

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