Diário da Phoebe – Dia 5

Como quinta e sexta são dias em que meu marido fica em casa o dia todo, já sabia que seriam um pouco mais tranquilos. Ele levou Phoebe para passear de manhã, e ficou com ela durante todo o dia. A faxineira estava em casa, e elas duas se entenderam bem logo de cara – Phoebe ficou assistindo enquanto ela preparava o almoço, na esperança de descolar algum pedacinho…

Orientei meu marido a deixá-la em períodos esporádicos na caixa, para ela se habituar, e não associar o confinamento com a solidão. Ela dormiu na caixa durante o dia, no escritório, com ele por perto. Tenho tentado reforçar cada vez mais o vínculo com a caixa, recompensando quando ela entra voluntariamente, e dando as refeições lá dentro. Eventualmente a colocamos na caixa durante ausências curtas: por exemplo, quando um de nós está sozinho em casa e precisa ir ao banheiro.

Phoebe tem um problema de ansiedade. Quando estava com pouco mais de 1 ano, desenvolveu um granuloma de lambedura – uma ferida que se forma na pata por excesso de lambidas. Melhorou com a castração, mas sempre estive atenta com isso, e me preocupo cada vez que a vejo lamber. Com o stress da mudança, já esperava que isso retornasse, e foi tiro e queda: ela agora está com uma ferida no calo do cotovelo, e volta e meia a pego lambendo a região.

Se ela não parar com isso, vamos precisar colocar o colar elizabetano, para que a ferida possa fechar. Felizmente, ela já usou isso tantas vezes, que já se acostumou. Minhas canelas é que vão sofrer um bocado, a moça não é muito delicada e sai batendo o colar para todo lado…

Os sintomas que ela manifesta são compatíveis com um diagnóstico de ansiedade de separação – latidos, vômito, comportamentos compulsivos (a ansiedade de separação muitas vezes vem associada a esse tipo de transtorno). Estou montando um esquema de treinamento, baseado em alguns protocolos, para lidar com isso.

O tratamento da ansiedade de separação não é dos mais simples. Envolve uma mistura de alguns tipos de ação: 1) acostumar o cão a relaxar no lugar enquanto coisas acontecem; 2) acostumar o cão com as saídas, variando o tempo de duração delas; 3) desconstruir as rotinas de saída, por exemplo, calçando os sapatos para ficar em casa, ou balançando as chaves na hora de dar comida; 4) dar atividade para o cão se distrair, especialmente na primeira hora de solidão; 5) medicação. Ainda estou definindo o que usar, o que priorizar, como fazer.

Marido foi me buscar de carro no fim do dia e levou a Phoebe, e depois fomos para Copacabana passear. Demos uma volta pelo calçadão, sentamos para tomar água de coco (ela adora!), encontramos outros cães. Ela chegou em casa exausta, parecia que ia capotar e mal conseguia ficar em pé. Mas foi ficando ansiosa à medida que foi chegando a hora de dormir, começou a procurar comida pela casa (já tinha dado a ração da noite), chegou até a roubar utensílios de cozinha, coisa que já não costuma fazer.

Conseguimos diminuir um pouco o ritmo dela, e decidimos que iríamos deixá-la na caixa inicialmente. Assim que ela se acalmasse, maridão iria para o sofá, já que eu fiquei lá duas noites seguidas. Na caixa, ela chegou a ganir, depois se acalmou, e então ele abriu a caixa e seguiu com ela para a sala, onde dormiram ambos lindamente.

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1 Response to “Diário da Phoebe – Dia 5”


  1. 1 Ana caroline Martinez 31 maio, 2015 às 6:18 pm

    Boa noite!

    Não sei se vc tem acesso aqui ainda! Mas decide escrever! O meu caso é quase igual! Uma Labradora de 9 anos! Ela não tem nada de mais sério, mas vai passar por um cirugia e de qualquer jeito vou trazer ela pra cuidar no pós cirúrgico e to querendo que ela fique! Ganhamos ela quando ainda namorávamos, eu e meu marido, e ela ficou na casa da minha sogra, aqui numa cidade da grande São Paulo! A 6 anos casamos e viemos morar na capital, o ap é grandinho e ela vem aos feriados férias, depois da primeira noite ela fica bem! Mas sempre com a gente! Se ficar aqui, vai ficar sozinha durante o dia, mas não sei se vai ser tão ruim, pq ela já tá velhinha e dorme bastante!
    Queria tornar a transferência o menor traumática possível, pra mim e pra ela!!!
    Eu vou leu todos os posts, mas tenho TDHA e isso não é tão fácil!
    Mas queria uma luz!
    Obrigada


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