Posts Tagged 'adaptação'

Diário da Phoebe – 6 meses depois

O último post que fiz aqui, relatando as peripécias da Phoebe, foi em 6 de junho. Estou voltando agora, 6 meses depois, pra relatar nossos progressos.

Phoebe hoje é um cachorro de apartamento. Olhando para o comportamento dela, é até difícil pensar que um dia ela morou em quintal, ou que a adaptação inicial foi complicada.

Sobre dormir à noite, depois de instalar o portãozinho na porta do quarto e colocar uma caminha confortável no corredor ela foi se habituando. Hoje, na hora de dormir, nem tenta entrar no quarto, já vai direto pra própria caminha, e dorme tranquila a noite inteira.

Nhoim

Com seu melhor amigo, o ursinho.

Ela também diminuiu muito as lambidas. Ainda se lambe de vez em quando, mas nem de longe com a intensidade e a compulsão de antes. Já há uns dois ou três meses que não precisa mais do colar elizabetano.

Começou a fazer as necessidades durante os passeios, e agora só faz xixi no jornal quando o passeio atrasa, ou quando bebe água demais.

Com relação a roubar comida, temos mantido a cozinha arrumada, ou, quando isso não é possível, deixamos a porta fechada para que ela não tenha oportunidade de tentar. Ainda fica enlouquecida quando sente cheiros interessantes, e umas duas vezes conseguiu roubar alguma coisa, mas uma política que ajuda muito é não deixar que ela fique com o produto do roubo. Se pegamos a tempo, tomamos o que ela tiver pego, mesmo que isso signifique que vai para o lixo (em geral, guardamos para usar como petisco em outra ocasião ;-) ) Aqui em casa, o crime não compensa, e isso acaba desencorajando.

Ela também está ficando sozinha numa boa. Evitamos sair mais de uma vez por dia, mas já estabelecemos uma rotina que permite a ela entender o que vai acontecer: começamos a nos aprontar, e damos a ela um ossinho de couro – que ela, em geral, não come enquanto estamos fora. Às vezes, quando está mais agitada, late um pouco logo que fica só, mas em poucos minutos se acalma – imagino que acabe dormindo. Assim, voltamos a ter vida social, a fazer coisas juntos, sair pra jantar em lugares que não aceitam cachorro, etc e tal. Fomos inclusive a uma festa de casamento, e ela ficou ótima, não incomodou ninguém.

Dia desses, encontramos uma vizinha no elevador e ela comentou que nem parece que tem cachorro no prédio, de tão quietinha que a Phoebe é. Acho que vencemos, né?

Fica então o recado: mudanças de rotina são difíceis. Levar um cachorro de quintal para apartamento pode ser bem trabalhoso. Mas basta ter boa vontade e um pouquinho de paciência, e funciona. 6 meses depois, já está tudo bem.

Farra

Phoebe e Madalena, sua coleguinha de ParCão.

Que língua é essa?

Na Lagoa, já exausta depois do ParCão

Diário da Phoebe – 5ª semana

Ontem se completaram 4 semanas desde que Phoebe veio morar conosco num apartamento no Rio de Janeiro. E o que posso dizer é que a adaptação dela foi impressionante. Em menos de um mês, ela se tornou um cão de apartamento.

É verdade que a qualidade de vida dela melhorou muito. Ela antes passeava, quando muito, uma vez por semana. Ficava num quintal cimentado, com escada, separada das pessoas da casa. Vivia cheia de carrapatos que resistiam a todos os tratamentos. Comia um monte de porcarias e estava obesa.

Agora passeia três vezes por dia, inclusive debaixo de chuva. Nos fins de semana, sai de carro, corre solta com outros cães, se socializa. Fica dentro de casa, perto de nós, recebendo atenção e carinho na maior parte do tempo. Não tem mais carrapatos, nem pulgas. Praticamente só come ração, além de alguns petiscos light, e já emagreceu bastante.

Com isso tudo, ela está outra. A postura corporal está mais relaxada, quase não arfa mais. Brinca com os brinquedos  (adora bichos de pelúcia!), rói ossos de couro, fica deitadinha no sofá curtindo preguiça. Dorme muito e bem, não fica mais acordando durante a noite, e muitas vezes continua dormindo depois que acordamos.

Já tem conseguido ficar sozinha, e estamos reduzindo progressivamente a dose do remédio, embora ainda estejamos evitando períodos muito longos e frequentes de solidão. Praticamente não tem latido dentro de casa, e já está fazendo as necessidades quase só na rua.

Esse fim de semana fomos pela segunda vez ao ParCão da Lagoa, no sábado. À noite fomos levar uma amiga que está hospedada lá em casa ao Centro, para um casamento, e ficamos passeando por lá enquanto esperávamos. No domingo, passamos pela Vista Chinesa, depois fomos à Cobasi, na Barra, e almoçamos no Shopping Downtown, onde cachorros podem entrar. O Rio é uma cidade cheia de opções de programas “caninos”, o que facilita muito ter cães em apartamento, inclusive os grandes – coisa que aqui é comum.

Vou manter esse diário semanal, por enquanto, para ir dando notícias. Desde já, muito obrigada a todos que vêm me dando apoio nessa jornada, cada manifestação de carinho e encorajamento é importante e me faz sentir que estamos no rumo certo.

Fica aqui uma pergunta: existe algum tema, dos que tratei aqui ao longo desses posts, que vocês gostariam de ver mais aprofundado? Treino de caixa de contenção, adestramento para cuidados veterinários, truques, treino de guia, …? Se houver, faço um post separado comentando.

Além disso, muita coisa passou batida porque não foi problema para nós, mas pode ser problema para outros cães se adaptando em apartamento. Destruição, por exemplo, ou xixi fora do lugar. Se alguém quiser mais dicas sobre essas questões, pode comentar por aqui, e vamos tratar delas também.

Diário da Phoebe – Atualização

Fiquei meio sem tempo, e aproveitei para fazer um intervalo nas postagens diárias, para evitar ficar  repetitiva. A verdade é que já estamos criando uma rotina, então não faz sentido ficar postando aqui todo dia pra contar que acordamos, passeamos, ela passou o dia bem.

Semana retrasada compramos o colar elizabetano, e ela está ficando com ele o tempo todo que está à toa em casa. Tiramos na hora de passear, e na hora de dar a ração dentro da caixa de transporte.

Isso diminuiu um problema para mim, que ficava o tempo todo tensa, com medo de que ela estivesse lambendo as patas, e fosse abrir outra ferida. Phoebe já teve um granuloma de lambedura (também conhecido como dermatite acral de lambedura), que é uma ferida que o cão abre com as lambidas compulsivas, e que não fecha, porque ele não para de lamber. Agora, submetida a stress, as chances de voltar são enormes. Por isso, está de colar até passar a fase mais difícil.

Já começou também a dormir melhor. Com o portãozinho, fica tranquila de que estamos por perto, e tem dormido bem. Agora que está com o colar, não temos mais nem a preocupação de acordar à noite quando ela acorda (ela sempre dá uma acordada no meio da noite, não tem jeito), é só esperar um pouco que ela volta a dormir.

Temos procurado manter a cozinha sempre limpa, o que acaba sendo uma vantagem para nós, inclusive. Qualquer cheiro de comida lá é suficiente para lançá-la numa busca frenética por qualquer grão de qualquer coisa.

Com relação a ficar sozinha, estamos fazendo uma mescla de táticas. Trouxe de BH os Kongs grandes, o que facilitou fazer o enriquecimento ambiental. Além disso, uma amiga veterinária sugeriu um remedinho (não é calmante, nem remédio controlado, ok?) que poderia deixá-la um pouco mais calma, facilitando que relaxasse na hora de sairmos.

Antes de sair, preparamos o enriquecimento ambiental. Pegamos a refeição da manhã, e às vezes um tiquinho mais, e distribuímos por Kong, brinquedos, escondemos pela casa, colocamos dentro de um pano amarrado. Deixamos também algo para roer, um ossinho de couro ou nylon, ou algum osso de verdade (mas nem sempre, porque ela chega a machucar a gengiva de tanta empolgação pra roer coisas duras).

Aí, damos o remedinho, entregamos alguma das coisas para ela começar a se entreter, e saímos. Já fizemos isso 4 vezes, e tem funcionado – estamos diminuindo a dose do remédio a cada vez, o objetivo é apenas ajudar a condicioná-la a relaxar quando vamos sair.

O resultado é que, nas nossas ausências, ela tem se entretido. Brinca, rói, sobe no sofá, dorme bastante. Ainda não estamos arriscando sair à noite, quando os latidos podem incomodar mais os vizinhos, mas as saídas diurnas por períodos não prolongados demais (cerca de 4h) já estão OK.

Viajamos para BH no fim de semana passado, e ela ficou com essa minha amiga veterinária, que tem outros dois Labradores.  Ainda estamos tentando encontrar um hotelzinho de confiança mais perto de casa, para não ficar dando trabalho pra amigos a cada vez que vamos viajar.

Não tem nem um mês que Phoebe está conosco, e já tenho achado a cada dia mais fácil conviver com ela. Está mais carinhosa, menos ansiosa. Pede cafuné, coisa que nunca foi de fazer muito. Fica por perto, brinca, se esfrega de barriga pra cima em qualquer pedaço de pano que esteja no chão.

Devagarzinho, vamos melhorando. Mantenho vocês informados =)

 

P.S.: Tem um montão de fotos novas, mas não consegui passá-las para cá, agora. Faço um post só com elas, depois.

Diário da Phoebe – Dia 9

Na tentativa de reduzir ao máximo o tempo que Phoebe fica sozinha em casa, atormentando os vizinhos, decidimos agendar um banho no pet shop para a segunda-feira de manhã.

A noite de domingo não foi fácil, e acordei um caco na segunda. Saí, marido se dispôs a chegar um pouco mais tarde no curso para deixar Phoebe no pet shop no primeiro horário disponível (9h). Cheguei no trabalho meio pra baixo, acabei escrevendo esse post aqui no meu blog pessoal.

É meio desanimador ficar tentando encontrar soluções para os problemas, e precisar ter paciência porque eles só se resolvem com o tempo. Fico aflita, com medo de incomodar as pessoas do prédio, e acabo me sentindo meio incompetente como adestradora – embora o conselho que mais tenha repetido para todos os proprietários seja “tenha paciência”.

Fui buscá-la no pet shop na hora do almoço, e perguntei como tinha sido. Disseram que ela se comportou super bem durante o banho, mas que latiu muito por ficar sozinha. Novidade nenhuma. Aproveitei e comprei uma grade Tubline, para tentarmos dar uma solução definitiva ao arranjo da hora de dormir: instalamos a grade na porta do quarto, para que ela possa nos ver, mas não entre no quarto.

A Alê me sugeriu que deixasse Phoebe dormir no quarto, o que eliminaria o problema. Temos várias razões para não querer cachorro no quarto, e uma delas é inclusive a tentativa de diminuir essa relação grudada demais dela comigo. Meu objetivo, hoje, é dar a ela segurança para ser independente, fazer as coisas dela, e não ficar prestando tanta atenção em nós.

Marido ficou com ela à tarde, e precisava sair de novo à noite. Disse a ele para colocá-la na caixa de transporte, e dar um osso para ela roer. Só tenho dado ossos dentro da caixa, quando ela vai ficar sozinha – para que ela tenha motivos para querer ficar sozinha.

Ele fez isso, ela se interessou pelo osso, e ele saiu. Porém, precisou voltar para buscar o guarda-chuva, e, quando ela o viu entrar e sair de novo, lá se foi a calma.

Saí mais cedo da aula de espanhol, cheguei em casa, e o porteiro disse que não tinha ouvido latidos. Mas assim que subi, do lado de fora da porta ainda ouvi alguns latidos abafados, já que ela estava dentro da caixa. Bati na porta da vizinha, e ela me disse que Phoebe tinha latido bastante nesse período, sim.

Entrei em casa, e não fui logo de cara abrir a caixa. Tenho tentado ser o mais indiferente possível em relação às saídas e chegadas, de forma a evitar excitá-la muito. Tirei os sapatos, troquei de roupa, e nem olhei para ela. Ela deu uns dois latidos, ignorei. Só abri a caixa depois que ela estava quieta por um tempinho.

Dei a maior parte da ração dentro de brinquedos, para ela precisar ter trabalho. Ela se divertiu bastante, principalmente com um deles (nem sei o nome, gente, tem anos que comprei – UPDATE: achei!) que parece um disco voador, e ela tem que ir empurrando para a ração sair por um buraquinho.

Ela ficou ótima durante a noite. Tranquila, bem-humorada. Maridou chegou dali a uma meia hora com compras de supermercado, e ela ficou deitadinha no tapete dela, recebendo petiscos esporádicos, enquanto fazíamos o jantar. Mas dali a pouco foi se agitando, e vimos que não íamos escapar do passeio noturno. Estava chovendo, e primeiro tentamos só deixá-la solta na portaria do prédio, mas logo ela se enfadou daquilo, e tivemos que sair.

Felizmente, ela logo se cansou, e com uma caminhada de uns 15 min já estava bem mais calma. Mas continua se recusando a fazer xixi perto de casa. Se colocamos no carro, faz xixi onde chegar. Perto de casa, não faz de jeito nenhum. Cachorra fresca, sabe que está perto de casa e prefere ir no próprio banheiro…

Na primeira noite com a grade na porta do quarto, ela a princípio se estressou um pouco. Mas depois fui lá, fiquei um pouco perto dela, e quanto voltei pra cama, ficamos conversando com ela de longe, até ela se habituar à novidade. Dali a pouco entendeu que não estava presa, e foi dar voltinhas pela casa antes de dormir. Só relaxamos quando ela finalmente se enroscou e começou a roncar (e como ronca, caramba!).

Acordei umas três vezes durante a noite, quando percebia que ela estava se lambendo. Ao invés de dar bronca, fiquei quietinha no meu canto da cama, e bati um chinelo contra o outro, fazendo um estalido forte, para interromper o comportamento. Lamber as patas é comportamento compulsivo, auto-reforçador, e por isso difícil de resolver. Interromper o comportamento ajuda o cão a mudar o foco, e quebra o ciclo de compulsão.

Nas três vezes, funcionou perfeitamente. Ela parou de lamber, ficou quieta um pouco, e depois dormiu. Agora que definimos qual vai ser a forma de dormir, fica mais fácil estabelecer uma rotina, e, assim, diminuir a ansiedade dela. Ou, pelo menos, é o que espero.

Diário da Phoebe – Dia 6

O dia foi bem tranquilo, novamente. Não pude sair com ela logo cedo, porque estava chovendo muito, tive que pedir ao marido que a levasse assim que parasse de chover. Ficaram os dois aqui durante o dia, saíram pra passear na hora do almoço, e o resto do tempo quase todo ela ficou deitada com ele no escritório, como já está se tornando hábito.

Cheguei à noite, fomos passear, depois sentamos num boteco antes de voltar para casa. Phoebe sabe muito bem ficar quieta ao lado da mesa, porque desde filhote foi socializada assim. Nunca deixamos de levá-la a lugares públicos abertos, mesmo pagando um pouco de mico no começo, já que ela, quando filhote, era um Marleyzinho. Levava o clicker, muitos petiscos, e treinava enquanto estava na mesa.

O problema é só quando aparece comida. Essa cachorra parece ter nascido antes da comida no mundo, não pode sentir cheiro de nada, que já fica maluca. Não consegue nem relaxar. Na casa onde ficava, era comum haver comida em cima de mesas e bancadas, e ela aprendeu a roubar coisas de lá. Agora, estamos com a política de tolerância zero, não deixamos nenhuma comida acessível, de tal forma que ela não tenha a chance de ser recompensada, e a extinção (cessação do comportamento por falta de reforço) entre em ação.

Voltamos pra casa, e decidimos abrir o sofá-cama e dormirmos os dois na sala, enquanto não compramos a grade para colocar na porta do quarto.  Ela ficou felicíssima, e dormiu super bem.

Devagarzinho, venho sentindo que está ficando mais relaxada. Os maiores problemas de comportamento que temos, hoje, são, por ordem de importância: 1) não ficar sozinha em casa; 2) lamber muito as patas, até machucar; 3) roubar comida. Nesse momento, é fundamental que ela aprenda a ficar sozinha, ou a vida em apartamento fica inviável. Os outros dois problemas têm formas de contornar – usar o colar elizabetano e não deixar comida dando sopa – mas esse precisa ser tratado desde já. E vamos lá.

E hoje tem foto da Phoebe!

Deitadinha no escritório, vendo o movimento.

Tirando uma soneca quando o movimento fica chato.

Pedindo pelamordedeus qualquer coisa de comer...

Diário da Phoebe – Dia 5

Como quinta e sexta são dias em que meu marido fica em casa o dia todo, já sabia que seriam um pouco mais tranquilos. Ele levou Phoebe para passear de manhã, e ficou com ela durante todo o dia. A faxineira estava em casa, e elas duas se entenderam bem logo de cara – Phoebe ficou assistindo enquanto ela preparava o almoço, na esperança de descolar algum pedacinho…

Orientei meu marido a deixá-la em períodos esporádicos na caixa, para ela se habituar, e não associar o confinamento com a solidão. Ela dormiu na caixa durante o dia, no escritório, com ele por perto. Tenho tentado reforçar cada vez mais o vínculo com a caixa, recompensando quando ela entra voluntariamente, e dando as refeições lá dentro. Eventualmente a colocamos na caixa durante ausências curtas: por exemplo, quando um de nós está sozinho em casa e precisa ir ao banheiro.

Phoebe tem um problema de ansiedade. Quando estava com pouco mais de 1 ano, desenvolveu um granuloma de lambedura – uma ferida que se forma na pata por excesso de lambidas. Melhorou com a castração, mas sempre estive atenta com isso, e me preocupo cada vez que a vejo lamber. Com o stress da mudança, já esperava que isso retornasse, e foi tiro e queda: ela agora está com uma ferida no calo do cotovelo, e volta e meia a pego lambendo a região.

Se ela não parar com isso, vamos precisar colocar o colar elizabetano, para que a ferida possa fechar. Felizmente, ela já usou isso tantas vezes, que já se acostumou. Minhas canelas é que vão sofrer um bocado, a moça não é muito delicada e sai batendo o colar para todo lado…

Os sintomas que ela manifesta são compatíveis com um diagnóstico de ansiedade de separação – latidos, vômito, comportamentos compulsivos (a ansiedade de separação muitas vezes vem associada a esse tipo de transtorno). Estou montando um esquema de treinamento, baseado em alguns protocolos, para lidar com isso.

O tratamento da ansiedade de separação não é dos mais simples. Envolve uma mistura de alguns tipos de ação: 1) acostumar o cão a relaxar no lugar enquanto coisas acontecem; 2) acostumar o cão com as saídas, variando o tempo de duração delas; 3) desconstruir as rotinas de saída, por exemplo, calçando os sapatos para ficar em casa, ou balançando as chaves na hora de dar comida; 4) dar atividade para o cão se distrair, especialmente na primeira hora de solidão; 5) medicação. Ainda estou definindo o que usar, o que priorizar, como fazer.

Marido foi me buscar de carro no fim do dia e levou a Phoebe, e depois fomos para Copacabana passear. Demos uma volta pelo calçadão, sentamos para tomar água de coco (ela adora!), encontramos outros cães. Ela chegou em casa exausta, parecia que ia capotar e mal conseguia ficar em pé. Mas foi ficando ansiosa à medida que foi chegando a hora de dormir, começou a procurar comida pela casa (já tinha dado a ração da noite), chegou até a roubar utensílios de cozinha, coisa que já não costuma fazer.

Conseguimos diminuir um pouco o ritmo dela, e decidimos que iríamos deixá-la na caixa inicialmente. Assim que ela se acalmasse, maridão iria para o sofá, já que eu fiquei lá duas noites seguidas. Na caixa, ela chegou a ganir, depois se acalmou, e então ele abriu a caixa e seguiu com ela para a sala, onde dormiram ambos lindamente.

Diário da Phoebe – Dia 4

Quarta-feira. Dia de deixar Phoebe sozinha pela manhã, de novo. Confiando no sucesso da segunda-feira de manhã, decidimos testar se ela ficaria bem. Deixamos brinquedos, fechamos as portas dos cômodos que não deveriam ser visitados na nossa ausência, e fomos.

Voltei na hora do almoço, e o porteiro veio me dizer que ela latiu muito. Subi correndo, tensa. Ela tinha derrubado a manteigueira de cerâmica de cima da bancada da cozinha, e lambido toda a manteiga (felizmente, não era muita). Tinha também puxado o saco de lixo de cima da pia, rasgado e espalhado o lixo (que também não era muito, nem do pior tipo). E, é claro, tinha latido um bocado.

Fiquei tensa. Teoricamente, haveria um espaço de uns 20 min entre a minha saída e a chegada do marido, em que ela teria que ficar sozinha de novo. Liguei para o marido, perguntei se ele poderia sair do curso um pouco mais cedo, e eu chegaria ao trabalho um pouco mais tarde, para evitar deixá-la sozinha.

Saímos para passear, e descobri um pet shop muito fofo, a dois quarteirões de casa, que aceita cães de grande porte para banho, e onde comprei um osso para deixar com ela caso precisasse ficar sozinha de novo.

Marido chegou, saí correndo, e fui mantendo contato por telefone ao longo do dia. Ele deu o remédio para vômito de novo, com medo de que a manteiga pudesse desencadear outra crise. E ela, depois de me deixar acordada à noite, dormiu a tarde inteira…

Está comendo normalmente, fazendo xixi no jornal (se recusa a fazer na rua, o que é bom e ruim ao mesmo tempo, já que aumenta o volume de xixi e a troca de jornal dentro de casa), brincando, e recuperando as forças. Duas semanas atrás, não conseguia se levantar, e só se arrastava. Hoje, já está conseguindo subir na bancada da cozinha para roubar comida.

Tem tomado os remédios numa boa, também. Condicionar o cachorro a tomar remédio sem precisar esconder num pedaço de qualquer coisa é um ótimo treino, que pode ser feito a vida toda como preparação para a velhice.

É bem simples: pegue um grão de ração, ou alguma outra coisa do tamanho de um comprimido, que o cão possa engolir. Deixe ao lado um petisco bacana, que ele adore. Com uma mão, segure o focinho do cão por cima, encaixando os dedos nas laterais da boca dele, bem na junção entre maxilar e mandíbula. Com a outra, segure o comprimido, e, usando um dos dedos, empurre a mandíbula delicadamente para baixo, abrindo a boca. Coloque o comprimido, então, bem no fundo da língua, e segure a boca fechada, até o cão fazer movimento de lambida, que indica que ele engoliu. Quando engolir, elogie, faça festa, e dê o petisco.

É chato de explicar, mas na prática é fácil, e, se o cão for sempre recompensado por isso, rapidamente aprenderá a encarar o procedimento como uma brincadeira. Phoebe toma 7 comprimidos diários sem problema, usando como recompensa só a própria ração.

À noite, decidi tentar algo diferente. Saímos para passear, e fizemos uma caminhada longa, de quase uma hora. Chegamos em casa, e ela mal conseguia ficar acordada. Coloquei a caixa dela no corredor, de frente para o quarto – assim, ela ficaria separada, mas poderia nos ver.

Num primeiro momento, ela chorou e resmungou. Mas fui com paciência conversando com ela da cama, falando baixo, sem ir até lá, e ela foi se acalmando. O sono foi entrecortado, dormia e acordava o tempo todo – e eu junto, acalmando-a a cada vez – mas ela não chorou, não tentou abrir a caixa, nem demonstrou muito stress. Penso que seja só uma questão de encontrar posição dentro da caixa, mesmo, já que ela está acostumada a dormir esparramada no chão.

Lá pelas 4 da madrugada, como eu precisava desesperadamente dormir mais de meia hora seguida, tirei-a da caixa e fui pro sofá da sala. Ela virou pro lado e dormiu até de manhã.


Seja bem-vindo!

Este site é uma extensão da comunidade Dicas de Adestramento do Orkut.

Leitores online

web counter

Pesquisar

A função abaixo permite que você localize rapidamente tudo que foi publicado a respeito do termo buscado.

+

Pavê ou pacomê?

Acessos

  • 703,730 visitantes desde jan/08