Posts Tagged 'cães'

Diário da Phoebe – Dia 6

O dia foi bem tranquilo, novamente. Não pude sair com ela logo cedo, porque estava chovendo muito, tive que pedir ao marido que a levasse assim que parasse de chover. Ficaram os dois aqui durante o dia, saíram pra passear na hora do almoço, e o resto do tempo quase todo ela ficou deitada com ele no escritório, como já está se tornando hábito.

Cheguei à noite, fomos passear, depois sentamos num boteco antes de voltar para casa. Phoebe sabe muito bem ficar quieta ao lado da mesa, porque desde filhote foi socializada assim. Nunca deixamos de levá-la a lugares públicos abertos, mesmo pagando um pouco de mico no começo, já que ela, quando filhote, era um Marleyzinho. Levava o clicker, muitos petiscos, e treinava enquanto estava na mesa.

O problema é só quando aparece comida. Essa cachorra parece ter nascido antes da comida no mundo, não pode sentir cheiro de nada, que já fica maluca. Não consegue nem relaxar. Na casa onde ficava, era comum haver comida em cima de mesas e bancadas, e ela aprendeu a roubar coisas de lá. Agora, estamos com a política de tolerância zero, não deixamos nenhuma comida acessível, de tal forma que ela não tenha a chance de ser recompensada, e a extinção (cessação do comportamento por falta de reforço) entre em ação.

Voltamos pra casa, e decidimos abrir o sofá-cama e dormirmos os dois na sala, enquanto não compramos a grade para colocar na porta do quarto.  Ela ficou felicíssima, e dormiu super bem.

Devagarzinho, venho sentindo que está ficando mais relaxada. Os maiores problemas de comportamento que temos, hoje, são, por ordem de importância: 1) não ficar sozinha em casa; 2) lamber muito as patas, até machucar; 3) roubar comida. Nesse momento, é fundamental que ela aprenda a ficar sozinha, ou a vida em apartamento fica inviável. Os outros dois problemas têm formas de contornar – usar o colar elizabetano e não deixar comida dando sopa – mas esse precisa ser tratado desde já. E vamos lá.

E hoje tem foto da Phoebe!

Deitadinha no escritório, vendo o movimento.

Tirando uma soneca quando o movimento fica chato.

Pedindo pelamordedeus qualquer coisa de comer...

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Diário da Phoebe – Dia 5

Como quinta e sexta são dias em que meu marido fica em casa o dia todo, já sabia que seriam um pouco mais tranquilos. Ele levou Phoebe para passear de manhã, e ficou com ela durante todo o dia. A faxineira estava em casa, e elas duas se entenderam bem logo de cara – Phoebe ficou assistindo enquanto ela preparava o almoço, na esperança de descolar algum pedacinho…

Orientei meu marido a deixá-la em períodos esporádicos na caixa, para ela se habituar, e não associar o confinamento com a solidão. Ela dormiu na caixa durante o dia, no escritório, com ele por perto. Tenho tentado reforçar cada vez mais o vínculo com a caixa, recompensando quando ela entra voluntariamente, e dando as refeições lá dentro. Eventualmente a colocamos na caixa durante ausências curtas: por exemplo, quando um de nós está sozinho em casa e precisa ir ao banheiro.

Phoebe tem um problema de ansiedade. Quando estava com pouco mais de 1 ano, desenvolveu um granuloma de lambedura – uma ferida que se forma na pata por excesso de lambidas. Melhorou com a castração, mas sempre estive atenta com isso, e me preocupo cada vez que a vejo lamber. Com o stress da mudança, já esperava que isso retornasse, e foi tiro e queda: ela agora está com uma ferida no calo do cotovelo, e volta e meia a pego lambendo a região.

Se ela não parar com isso, vamos precisar colocar o colar elizabetano, para que a ferida possa fechar. Felizmente, ela já usou isso tantas vezes, que já se acostumou. Minhas canelas é que vão sofrer um bocado, a moça não é muito delicada e sai batendo o colar para todo lado…

Os sintomas que ela manifesta são compatíveis com um diagnóstico de ansiedade de separação – latidos, vômito, comportamentos compulsivos (a ansiedade de separação muitas vezes vem associada a esse tipo de transtorno). Estou montando um esquema de treinamento, baseado em alguns protocolos, para lidar com isso.

O tratamento da ansiedade de separação não é dos mais simples. Envolve uma mistura de alguns tipos de ação: 1) acostumar o cão a relaxar no lugar enquanto coisas acontecem; 2) acostumar o cão com as saídas, variando o tempo de duração delas; 3) desconstruir as rotinas de saída, por exemplo, calçando os sapatos para ficar em casa, ou balançando as chaves na hora de dar comida; 4) dar atividade para o cão se distrair, especialmente na primeira hora de solidão; 5) medicação. Ainda estou definindo o que usar, o que priorizar, como fazer.

Marido foi me buscar de carro no fim do dia e levou a Phoebe, e depois fomos para Copacabana passear. Demos uma volta pelo calçadão, sentamos para tomar água de coco (ela adora!), encontramos outros cães. Ela chegou em casa exausta, parecia que ia capotar e mal conseguia ficar em pé. Mas foi ficando ansiosa à medida que foi chegando a hora de dormir, começou a procurar comida pela casa (já tinha dado a ração da noite), chegou até a roubar utensílios de cozinha, coisa que já não costuma fazer.

Conseguimos diminuir um pouco o ritmo dela, e decidimos que iríamos deixá-la na caixa inicialmente. Assim que ela se acalmasse, maridão iria para o sofá, já que eu fiquei lá duas noites seguidas. Na caixa, ela chegou a ganir, depois se acalmou, e então ele abriu a caixa e seguiu com ela para a sala, onde dormiram ambos lindamente.

Diário da Phoebe – Dia 4

Quarta-feira. Dia de deixar Phoebe sozinha pela manhã, de novo. Confiando no sucesso da segunda-feira de manhã, decidimos testar se ela ficaria bem. Deixamos brinquedos, fechamos as portas dos cômodos que não deveriam ser visitados na nossa ausência, e fomos.

Voltei na hora do almoço, e o porteiro veio me dizer que ela latiu muito. Subi correndo, tensa. Ela tinha derrubado a manteigueira de cerâmica de cima da bancada da cozinha, e lambido toda a manteiga (felizmente, não era muita). Tinha também puxado o saco de lixo de cima da pia, rasgado e espalhado o lixo (que também não era muito, nem do pior tipo). E, é claro, tinha latido um bocado.

Fiquei tensa. Teoricamente, haveria um espaço de uns 20 min entre a minha saída e a chegada do marido, em que ela teria que ficar sozinha de novo. Liguei para o marido, perguntei se ele poderia sair do curso um pouco mais cedo, e eu chegaria ao trabalho um pouco mais tarde, para evitar deixá-la sozinha.

Saímos para passear, e descobri um pet shop muito fofo, a dois quarteirões de casa, que aceita cães de grande porte para banho, e onde comprei um osso para deixar com ela caso precisasse ficar sozinha de novo.

Marido chegou, saí correndo, e fui mantendo contato por telefone ao longo do dia. Ele deu o remédio para vômito de novo, com medo de que a manteiga pudesse desencadear outra crise. E ela, depois de me deixar acordada à noite, dormiu a tarde inteira…

Está comendo normalmente, fazendo xixi no jornal (se recusa a fazer na rua, o que é bom e ruim ao mesmo tempo, já que aumenta o volume de xixi e a troca de jornal dentro de casa), brincando, e recuperando as forças. Duas semanas atrás, não conseguia se levantar, e só se arrastava. Hoje, já está conseguindo subir na bancada da cozinha para roubar comida.

Tem tomado os remédios numa boa, também. Condicionar o cachorro a tomar remédio sem precisar esconder num pedaço de qualquer coisa é um ótimo treino, que pode ser feito a vida toda como preparação para a velhice.

É bem simples: pegue um grão de ração, ou alguma outra coisa do tamanho de um comprimido, que o cão possa engolir. Deixe ao lado um petisco bacana, que ele adore. Com uma mão, segure o focinho do cão por cima, encaixando os dedos nas laterais da boca dele, bem na junção entre maxilar e mandíbula. Com a outra, segure o comprimido, e, usando um dos dedos, empurre a mandíbula delicadamente para baixo, abrindo a boca. Coloque o comprimido, então, bem no fundo da língua, e segure a boca fechada, até o cão fazer movimento de lambida, que indica que ele engoliu. Quando engolir, elogie, faça festa, e dê o petisco.

É chato de explicar, mas na prática é fácil, e, se o cão for sempre recompensado por isso, rapidamente aprenderá a encarar o procedimento como uma brincadeira. Phoebe toma 7 comprimidos diários sem problema, usando como recompensa só a própria ração.

À noite, decidi tentar algo diferente. Saímos para passear, e fizemos uma caminhada longa, de quase uma hora. Chegamos em casa, e ela mal conseguia ficar acordada. Coloquei a caixa dela no corredor, de frente para o quarto – assim, ela ficaria separada, mas poderia nos ver.

Num primeiro momento, ela chorou e resmungou. Mas fui com paciência conversando com ela da cama, falando baixo, sem ir até lá, e ela foi se acalmando. O sono foi entrecortado, dormia e acordava o tempo todo – e eu junto, acalmando-a a cada vez – mas ela não chorou, não tentou abrir a caixa, nem demonstrou muito stress. Penso que seja só uma questão de encontrar posição dentro da caixa, mesmo, já que ela está acostumada a dormir esparramada no chão.

Lá pelas 4 da madrugada, como eu precisava desesperadamente dormir mais de meia hora seguida, tirei-a da caixa e fui pro sofá da sala. Ela virou pro lado e dormiu até de manhã.

Diário da Phoebe – Dia 3

Amanheceu chovendo canivete, e era minha vez de render o marido do sofá e levar a Phoebe para passear enquanto ele descansava. Esperei a chuva diminuir, me enchi de coragem, e fui. Andamos até a pracinha, ela estava super bem disposta, bem do jeito que era normalmente em BH, antes de começar a ter problemas.

Voltamos pra casa, dei os remédios e a comida – primeiro, uns bocadinhos direto na boca, depois ela aceitou a vasilha. Como meu marido estaria o dia todo em casa, fiquei bem mais tranquila, inclusive por não precisar da correria de ir em casa na hora do almoço.

No começo da tarde, marido me ligou, dizendo que ela passou a manhã apática, e tinha vomitado de novo. Falei para dar mais uma dose do remédio e esperar. Ela foi melhorando ao longo da tarde, e estava ótima quando cheguei em casa, à noite.

Saímos para passear, demos uma longa volta, encontramos outros cães e algumas pessoas. Phoebe é um bichinho sociável e muito dócil, se dá bem com todo mundo, faz o maior sucesso na rua. Como também tem um bom treino de guia, é uma delícia passear com ela.

Voltamos, dei os remédios e a comida (dessa vez, comeu tudo direto da vasilha, apetite voltou ao normal), e eu e marido fomos fazer jantar. Ela ficou por ali, com cara de dó, tentando ganhar alguma coisa. Mas, como ela precisa urgentemente emagrecer, decidi não dar nada. Quando viu que sua tática não funcionava, desistiu e só ficou por perto, cheirando.

Na hora de dormir, ainda tentamos fechar a porta do quarto e ver se ela relaxava, mas ela voltou a choramingar. O medo de problemas com os vizinhos venceu a necessidade de adestramento, e fui lá passar minha noite no sofá.

Diário da Phoebe – Dia 2

Depois da noite complicada, Phoebe acordou bem. Tinha colocado o relógio para despertar às 6 da manhã para cuidar dela, mas não dei conta. Pedi ao meu marido que a levasse para passear, para que eu pudesse dormir pelo menos um pouquinho, já que passei a noite toda acordando a cada barulho diferente.

Quando eles voltaram, dei os remédios dela, e em seguida ofereci a ração, que ela recusou. Pedi que ela entrasse na caixa, peguei meu clicker, e, com a porta da caixa aberta, comecei a treinar alguns comandos simples, recompensando com grãos de ração.

É interessante perceber, nos cães adestrados com clicker, que o petisco em si acaba sendo secundário ao prazer de trabalhar e acertar. Ela aceitou como recompensa a mesma ração que tinha recusado logo antes! Dei meia vasilha assim, aos pouquinhos, e então ofereci o resto, e ela comeu tudo.

Meu marido trabalha em casa, e isso foi um dos fatores importantes na hora de decidir levar a Phoebe para o apartamento. Porém, às segundas-feiras, ele faz um curso na parte da manhã, e eu e ele temos compromissos à noite. Assim, ela precisaria ficar sozinha durante toda a manhã, e mais uma hora e meia à noite, entre a saída dele, por volta das 19h30, e a minha chegada, por volta das 21h.

Não tínhamos plano B, tivemos que arriscar. Deixamos Phoebe sozinha com brinquedos, e saímos. Na hora do almoço, fui correndo para casa, e respirei aliviada quando cheguei: o porteiro disse que ela não tinha latido, e também não tinha destruído nada em casa, só puxou as almofadas do sofá para deitar em cima.

Um aspecto importante de ter cães em apartamento é a relação com os vizinhos. Cães eventualmente latem, fazem barulho, podem incomodar. Por isso, vale a pena alertar os vizinhos dessa possibilidade, explicar a história do cão, pedir a eles que avisem dos barulhos, para que você possa evitá-los. Mostrar preocupação com o bem-estar deles é a melhor forma de evitar guerras de vizinhança, que podem até culminar na obrigação de retirar o cão de lá.

Juridicamente, a questão é a seguinte: mesmo que a convenção de condomínio permita ter cães, e permita que transitem pelas áreas comuns, o condomínio pode determinar que o cão saia de lá se ele representar ameaça ao sossego, à saúde ou à segurança (os “três S”). Então, um cão agressivo ou latidor pode ser expulso do edifício, principalmente se o proprietário não souber exercitar a diplomacia e a boa vizinhança.

Fiquei com ela até a hora em que precisava sair, mas não a tempo do meu marido chegar. Tive que deixá-la sozinha mais uma meia hora, enquanto ele não vinha. Ele chegou e me ligou, dizendo que estava tudo bem.

Ou, pelo menos, aparentemente. Perto da hora em que ele iria sair novamente, à noite, me ligou dizendo que ela tinha vomitado. Phoebe sempre foi de vomitar sem causa aparente, especialmente em situações de stress, então não me preocupei. Ele limpou o vômito e saiu.

Cheguei à noite, e o porteiro avisou, dessa vez, que ela tinha chorado bastante. Subi, e a vizinha abriu a porta para dizer a mesma coisa. Abri a porta de casa, e a cena não era bonita: a sala estava toda vomitada, um vômito amarelo e bilioso.

Respirei fundo (mas não muito, que o cheiro era de ovo podre), e limpei tudo. Enquanto limpava, ela vomitou mais duas vezes, agora na cozinha. Os panos fediam, a casa fedia, e eu não sabia mais o que fazer por ela. Passei desinfetante em tudo, abri as janelas, coloquei coleira e guia nela e saí para a rua, pelo menos para deixar a casa secar e arejar.

Na rua, ela estava desesperada por comida. Ficava tentando pegar qualquer porcaria que encontrasse, coisa que já não fazia há muito tempo. E vomitou mais. Liguei para uma amiga veterinária aqui do Rio, e pedi ajuda. Ela me indicou uma medicação para diminuir o vômito, e disse para dar soro caseiro, porque ela devia estar desidratada.

Dei o remédio na rua, mesmo, para tentar evitar que ela vomitasse mais em casa. Chegamos em casa, já com meu marido, e fui fazer soro caseiro, enquanto ele passava mais desinfetante no chão. Ela bebeu, e não vomitou mais. Dali a umas 2h, ofereci aos pouquinhos metade da porção normal de ração, e ela comeu.

Na hora de dormir, nem tentamos deixá-la na caixa. Combinamos de revezar, e meu marido foi para o sofá, evitar mais stress. Segundo dia não foi moleza, não…

Diário da Phoebe – Dia 1

Phoebe é uma Labrador de 7 anos e meio, que morava em Belo Horizonte num quintal com Morgana, uma outra Labrador, de 5 anos. Eu, dona das duas, me mudei pro Rio de Janeiro. Não tinha como trazer as duas, não pensava em separá-las. Mas  Phoebe começou a ter probleminhas de velhice (vale lembrar que a expectativa de vida de um Labrador é de 10 a 12 anos, e, portanto, ela já está idosa). Estava obesa, porque ninguém tinha tempo para passear com ela, nem disciplina com a comida. Com isso, teve uma compressão da medula, e não estava conseguindo andar.

A decisão de tirar um cão idoso do lugar onde sempre viveu, e de perto das pessoas e cães com que está acostumado, não foi fácil. Mas ponderei que ela precisava de cuidados mais próximos, ou poderia não aguentar. Ela já estava parecendo debilitada. Levei-a à veterinária, que passou alguns remédios para aliviar o problema das patas, e me preparei para trazê-la comigo.

Viemos de carro de BH para o Rio sem problemas. Phoebe teve um bom treino de caixa de transporte, e fica quietinha em sua caixa durante as viagens. Fizemos duas paradas para que ela se aliviasse. Por ser uma viagem curta (5h de carro), não demos água, para evitar que ela precisasse fazer muito xixi.

Na chegada em casa, deixamos que cheirasse tudo, até os cômodos que não irá frequentar, como o nosso quarto e o banheiro. O olfato é o principal sentido dos cães, e é parte importante do processo de adaptação que eles se acostumem com os cheiros do lugar.

Nessa primeira noite, ela ainda estava bem estressada. Orelhas para trás, musculatura tensa, arfava e bebia água o tempo todo, andava de um lado para o outro. Evitei excitá-la mais ainda, falava baixo, fazia carinho. Ela acalmou um pouco.

Acertou o jornal para fazer xixi desde o começo – o treino de banheiro dela foi feito com cuidado, e reforçado ao longo do tempo. Nunca deixei de elogiar quando a “pegava no flagra” fazendo as necessidades no lugar certo.

A hora de dormir foi complicada. Queremos acostumá-la a dormir na sala, por isso não vamos deixar que ela durma no quarto, nem no começo. Decidi tentar ensiná-la a dormir na caixa de transporte, o que resolveria uma série de problemas. Coloquei-a na caixa, fechei a porta, fui para o quarto.

Dali a pouco, começamos a ouvi-la batendo a pata na porta da caixa e choramingando. Esperei um pouco para ver se melhorava, e foi só piorando. Sei que, se passasse o “extinction burst” (“explosão de extinção”, numa tradução livre), que é o período de intensificação do comportamento, ela iria provavelmente parar de latir. Mas isso aconteceria às custas de muito stress, e, possivelmente, bastante incômodo para os vizinhos.

Para evitar que ela intensificasse os latidos, esperei um intervalo de quietude, para não reforçar o comportamento indesejado, e fui lá abrir a caixa. Abri, não dei atenção a ela, e voltei para o quarto, fechando a porta. Ela então foi para perto da porta, cheirou, cheirou, cheirou, e começou a choramingar.

De novo, tive a mesma preocupação – que os choramingos virassem latidos e um belo problema com vizinhos – e esperei ela ficar calada alguns segundos para ir até lá e colocá-la na caixa de novo. Colocada na caixa, o problema anterior se repetiu. Resolvi, então, ir dormir no sofá, para deixá-la mais segura. Isso deu certo, ela se acalmou, e dormiu por ali – um sono agitado, mas melhor do que nada.

E lá se foi o primeiro dia de Phoebe no apartamento.

Cachorro adulto: de casa para apartamento

Decidi tirar a poeira do blog, e vou começar uma série de posts, falando sobre a adaptação de um cão adulto que precisa sair de uma casa e ir para um apartamento. Nesse primeiro post, vou dar algumas dicas gerais, e nos próximos vou tentar fazer um diário da experiência que estou vivendo.

Tenho duas cadelas Labrador, que viviam em uma casa com quintal, em Belo Horizonte. Ano passado, mudei-me para o Rio de Janeiro, para morar em apartamento, e deixei as duas para trás. Agora, Phoebe está com quase 8 anos, e precisando de cuidados mais intensivos, e decidi trazê-la para morar comigo.

Pensei em compartilhar essa história aqui, porque é um problema comum. Pessoas que se mudam de casas para apartamentos, e decidem doar o cão, ou não sabem o que fazer com ele. Então, vou contar para vocês, que leem esse blog (oi, tem alguém aí?), as confusões de uma Labradoida num apartamento de dois quartos.

Levar um cão de uma casa para um apartamento pode ser uma decisão difícil, dependendo do tamanho, da idade, do nível de energia e da educação do bicho. Mas a adaptação é possível, se o dono estiver comprometido e disposto a fazer os sacrifícios e as alterações que forem necessários.

Quanto melhor o cão tiver sido adestrado, e quanto mais acostumado ele estiver a aprender coisas novas, mais simples será lidar com as situações novas que aparecerão. Por exemplo, um cão que tenha um bom treino de banheiro, e saiba associar o jornal ou tapete higiênico com o lugar do xixi, terá muito mais facilidade em se adaptar com o banheiro no novo arranjo.

Além disso, é importante criar uma rotina de passeios. É comum que donos de cães de quintal negligenciem a importância dos passeios, porque o cão já “tem espaço pra brincar”.  Passeios não são apenas exercício físico, são uma forma de socialização, de generalização de aprendizado, e de estímulo mental. Mesmo cães que vivem em casas devem passear pelo menos uma vez por dia. Se já estiverem acostumados a sair, e já souberem se comportar na guia, a vida em apartamento será um desafio um pouco menor.

Um outro item que pode ser muito interessante para a vida em apartamento é o treino de caixa de transporte. Acostumar o cão a considerar a caixa de transporte como lugar seguro, onde ele rói coisas, descansa e viaja, pode ajudar muito na hora de deixá-lo sozinho dentro do apartamento, ou de colocá-lo para dormir. Um cão habituado à caixa de transporte, e que relaxa lá dentro, se adapta mais facilmente a novos ambientes, porque sempre tem seu lugarzinho familiar.

Um último aviso importante: quando o cão é treinador por um profissional que não envolve o dono no processo, é comum que, chegado o fim da prestação de serviços do adestrador, o dono considere que o adestramento terminou. Adestramento nunca termina, da mesma forma que educação de filhos. É importante manter o cão sempre aprendendo coisas novas e repassando os velhos aprendizados. Isso o manterá estimulado e adaptável, e tornará sua relação com ele cada vez melhor.

No próximo post, conto mais da primeira noite da Phoebe na nova casa.


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